quarta-feira, 4 de junho de 2008

Um dia em Nova York

No dia 17 de janeiro saí de Sydney com destino a Caracas. Depois de fazer a minha quarta escala em Seul, cheguei a Nova York na noite do dia 18, onde teria 21 horas de espera. Saí do aeroporto JFK em direção a Manhattan para encontrar o meu primo Alexandre.

Seguindo as instruções que ele tinha me passado, peguei o "Air Train" no sentido Jamaica Station, depois o metrô "E line" no sentido Mid-town Manhattan. Além das pessoas extremamente obesas, me chamou a atenção o anúncio bilíngüe abaixo, que do lado esquerdo visa o público usuário de carro e do lado direito o público de imigrantes latinos, futuros manobristas desses carros.
Desci na 53/54 x Lexington. Atravessei a rua para entrar no prédio da Lehman Brothers, no 399 Park Avenue. Depois de certa dificuldade em encontrar o número do telefone do Alexandre e ficar conversando com os seguranças da portaria, finalmente nos encontramos e fomos jantar. Eu estava com vontade de comer um daqueles burgers bem americanos, com direito a queijo cheddar derretido, batatas fritas e tudo o mais. E assim foi feito.
Depois fomos embora, em direção a Nova Jérsei. Primeiro passamos pelo futuro apartamento novo do Alexandre, que fica em Hoboken, de frente para Manhattan, lugar aparentemente maravilhoso, apesar do escuro da noite e do mau tempo. Espero poder voltar em breve para curtir melhor o visual e conhecer o apartamento por dentro!

Depois seguimos para West Orange, NJ, que é onde ele mora por enquanto com um casal de amigos. Casa maravilhosa, de quatro andares ou mais, decoração suntuosa, Ferrari vermelha na garagem.

Não tive muitas horas de sono nem consegui dormir muito bem. No dia seguinte acordamos cedo, tomamos café e fomos de carro até a estação. Seguimos de trem até Manhattan, onde o Alexandre foi trabalhar e eu fui passear.

Os imponentes, belos e opressores edifícios de Nova York

Carros por todos os lados, ocupando as três dimensões
A coisa mais gostosa de se fazer em Nova York (ou seria em qualquer cidade?) é andar a pé. Topei com uma loja da B&H Photo Video, onde eu tinha comprado a minha câmera fotográfica pela Internet antes de sair do Brasil. O tamanho da loja era tão grande e a espessura do catálogo idem, que achei melhor ir embora e comprar pela Internet mesmo quando eu precisasse...

Depois de muito caminhar, para me recuperar um pouco do frio, entrei numa Border's e fiquei lendo guias de Cuba, até decidir comprar um Frommer's.

Finalmente segui em direção ao marco zero ("ground zero"), local onde ficavam as Torres Gêmeas e aonde eu não tinha mais voltado desde 2001. Não há nenhum resquício visual nem olfativo dos escombros do atentado, apenas um enorme buraco onde se trabalha sem parar.


Margeando as laterais desse grande vazio, há um enorme centro comercial, de onde avistei esta linda paisagem com o rio Hudson e Nova Jérsei ao fundo (o novo prédio do Alexandre fica numa posição semelhante à desses que aparecem na foto, só que mais ao norte).

Depois peguei um metrô e fui me encontrar de novo com o Alexandre, a tempo de almoçar e partir para o aeroporto, rumo à Venezuela.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Sustentabilidade em Seul

Essa era a imagem que eu tinha na cabeça antes de conhecer Seul "pessoalmente". Eu a tinha visto estampada na capa da edição de dezembro de 2005 da revista Sustainable Transport (Transporte Sustentável), publicada pelo ITDP, Instituto de Políticas de Desenvolvimento e Transporte:
Segundo o artigo, onde hoje vemos essa linda paisagem, antes havia uma via elevada de 6 km de extensão, que foi demolida, junto com várias outras desde então, em nome da qualidade de vida e da melhora do espaço público. Essas e outras medidas, como a construção de dezenas de quilômetros de faixas centrais exclusivas para ônibus, renderam à cidade o Prêmio Transporte Sustentável 2005 do ITDP.

Para quem se interessar em ler toda a matéria, esse e outros números da revista (em inglês) estão disponíveis aqui.
Destaque para as seguintes edições:
  • Dezembro de 2005: Seul (artigo mencionado)
  • Novembro de 2006: diversos artigos sobre o Brasil (bicicletas, transporte rápido sobre pneus, revitalização do centro de São Paulo, etc)
  • Novembro de 2007: trólebus em São Paulo, vélib em Paris

terça-feira, 25 de março de 2008

Um dia em Seul

Conforme previsto, ao longo da minha viagem fiz quatro escalas em Seul:

Mumbai - Seul - Kuala Lumpur
Kuala Lumpur - Seul - Pequim
Pequim - Seul - Sydney
Sydney - Seul - ... - Caracas

Numa dessas paradas, entre Kuala Lumpur e Pequim, no dia 21/11, tive dez horas de espera entre os vôos e pude sair do aeroporto. Peguei um ônibus rumo à estação de metrô Anguk, na região central da cidade.
Fiquei surpreso por não haver trens ligando o aeroporto à cidade. Tempo de trajeto: ≈ 1 hora. Ao descer do ônibus, tive o primeiro contato com o frio e a neve do outono sul-coreano.

O meu destino era o Palácio Changdeokgung.
O palácio foi construído em 1405, durante a dinastia Joseon, e destruído durante a invasão japonesa de 1592-1598, assim como todos os outros palácios de Seul. Changdeokgung foi reconstruído logo depois, no início do séc. XVII, e passou a ser o palácio principal da família real. Em 1997, foi incluído na lista do patrimônio mundial da UNESCO, que destacou seu excelente estado de preservação, sua notável disposição espacial e sua relação harmoniosa com o ambiente natural do entorno.





O frio era intenso, a ponto de muitos lagos já estarem com a superfície congelada.

Mas as cores das folhas não deixavam esquecer que ainda estávamos no outono.



Um pouco antes de começar a visita guiada, conheci o Rob Powell, um canadense que estava trabalhando na Coréia. Ele é geólogo ou oceanógrafo, não me lembro bem, e trabalha em plataformas off-shore. Estava com uma viagem prevista para o Brasil este ano, acho que a serviço de uma fornecedora da Petrobras. Depois de visitar o palácio, decidimos almoçar juntos. Aceitei a sugestão de pedirmos carne, o que fez com que aquela se tornasse uma das refeições mais caras de toda a minha viagem. Durante o almoço, conversamos também com umas americanas de meia-idade que estavam sentadas na mesa ao lado. Acho que era restaurante pra estrangeiros mesmo...
Insadonggil, famosa rua-calçadão.
Barraca de lembrancinhas.
Continuamos descendo essa rua em direção ao sul. Se não me engano, esse é o parque Tapgol.
Mais adiante a rua muda de nome e passa a se chamar Samillo. Esse riozinho era a única marca visual que eu tinha de Seul antes de ir para lá. A recuperação dessa área valeu uma menção numa revista sobre Sustentabilidade que eu tinha lido antes de sair do Brasil (veja referências no próximo relato). Na foto não dá para ver direito, mas nas duas margens há uma pista para pedestres e ciclistas, além de pontezinhas e passagens de pedra de uma margem para a outra, criando um espaço de lazer.
Avenida congestionada.
Este era o meu destino final do dia:
a Torre de Seul, no parque Namsan.




A 18.000 km de casa!

Por volta das 16h eu desci para pegar o ônibus de volta para o aeroporto, em frente a um dos prédios que aparecem lá embaixo, o hotel Sejong.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Voltei

Depois de mais de um mês de ausência do blog, voltei pra dizer que já estou no Brasil. Voltei a Campinas na terça-feira passada, depois de três semanas entre Venezuela e Cuba com a Marina. Em breve, mais fotos e textos sobre a viagem.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Xitang

Xitang é um vilarejo tradicional chinês que fica perto de Xangai. Por ter sido declarado patrimônio cultural, não corre risco de ser derrubado em nome do "progresso".
Ali já foram rodados diversos filmes, dentre eles, "Missão: Impossível 3", com Tom Cruise
Para quem assistiu, em uma das cenas ele aparece correndo por essas galerias abaixo.
Roupas íntimas femininas em um varal.
À esquerda, penicos de madeira.
Segundo a Angela, há uns trinta anos ainda era comum que as casas não tivessem banheiro e usassem esse recurso. Ela se lembra com nojo da casa de uma tia em que tinha que usar isso, por cima dos dejetos de outros parentes que tinham passado por ali antes (o vaso é limpo uma vez por dia). E quando respingava...


Se não fosse tão turístico, pareceria um lugar parado no tempo.






Shanghai by night

"The Bund", visto a partir de Pudong
Pudong, visto a partir de "The Bund"

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Xangai ( 上海 )

O nome da cidade em mandarim é constituído de dois caracteres, que são pronunciados como "shang hai" em pinyin. Portanto, esse "g" que aparece na grafia portuguesa é uma excrescência. Se fosse para aproximar pela pronúncia, o mais correto seria usar "Xanrai".

Xangai é a décima maior cidade do mundo e a maior da China. Enquanto Pequim é a capital política, Xangai é a capital econômica do país, além de importante centro cultural, comercial, financeiro e industrial. Desde 2005, possui o maior porto de carga do mundo e caminha para se tornar a principal cidade de toda a região Ásia-Pacífico.
(People's Square - Praça do Povo)
A foto acima condensa várias características de Xangai e das grandes cidades da China. Muitas pessoas nas ruas, prédios modernos e shopping centers. Estes últimos, em nome do consumo, aderem até à moda do Natal, totalmente estranho às tradições chinesas.

Museu de Planejamento Urbano
Grande Teatro

Nanjing Road, rua tradicional de comércio,
já desde antes da abertura econômica.
Vista de Pudong, do outro lado do rio Huangpu, com a
imponente torre de TV e rádio Pérola do Oriente
Vista do principal trecho da margem ocidental do rio Huangpu, conhecido como "The Bund", herança do domínio europeu na cidade durante quase cem anos.Huaihai Road (antiga Avenue Joffre), a moderna
artéria comercial da cidade, a Champs-Elysées do Oriente.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Qibao

Qibao significa "Sete Tesouros" e é uma cidade antiga também perto de Xangai. Por antiga quero dizer que foi fundada há milênios.

Como muitas coisas na China, é difícil distinguir o antigo do novo. A cidade foi totalmente reconstruída no ano 2000, mantendo o aspecto antigo, portanto a maior parte do que se vê é falso, ou seja, parece antigo, mas é réplica.

Aí eles aproveitam para criar parques e outras atrações para atrair turistas, neste caso, sobretudo os domésticos.


Um dos maiores fatores de atração, porém, é a comida tradicional. Na foto abaixo, um senhor prepara uma espécie de panqueca, usando técnica semelhante ao do crepe francês ou da dosa indiana.
Aqui eles estão fazendo uma das sobremesas que eu mais gosto, tangyuan, que são bolinhos feitos com farinha de arroz e recheados com massa de amendoim, gergelim ou feijão azuki. Depois esses bolinhos são cozidos por alguns minutos e servidos apenas com um pouco da água da fervura ou em uma espécie de sopa de arroz doce fermentado. No filminho abaixo, dá pra ver como eles colocam o recheio.
(13 segundos - 9,36 MB)
video
Tonel de vinho de arroz
Dentre as iguarias da foto abaixo, dá pra identificar nariz e orelha de porco (ao centro) e caramujos (canto superior direito). As trouxas que aparecem no canto inferior direito são uma espécie de bolo de carne moída de porco, envolto em folhas de lótus.
Aqui dá pra ver cabeças de pato e codornas assadas.
A visão de todos esses quitutes abriu o nosso apetite, então fomos jantar. Já não lembro mais tudo o que pedimos, mas os pratos da foto abaixo mostram o seguinte: à esquerda, uma espécie de massa de tofu frita, com ervilha, milho, cogumelo e camarão, tudo cozido em um molho gosmento; à direita, um rolinho feito à base de raiz de lótus e arroz, cortado em fatias, com um molho adocicado.
A Selena não é linda?

Sábado no parque

Perto de Xangai, ao lado do restaurante onde deixei a mochila, tinha um parque com jardins em estilo tradicional chinês, que leva em conta os princípios do feng shui.

A temperatura em Xangai já estava bem mais alta do que em Pequim, por volta de 10°C.
Angela (IBM), Selena e Lionel

Três tipos de chá e uma espécie de mingau de raiz de lótus
O chá verde (à esquerda) é considerado tanto melhor quanto mais folhas boiarem no copo. O que tomamos era de alta qualidade.

Perdas e danos

No meu primeiro dia em Xangai, fui a um restaurante com a minha amiga Angela, o marido dela Lionel e a filha deles Selena. É um restaurante especializado em um tipo de "dumpling" ("ravioli" chinês) chamado shaolong.

No local indicado pela seta (foto abaixo) havia uma mochila, a minha, que foi esquecida quando saímos do restaurante.
A minha amiga percebeu que eu estava sem a mochila uns cinco minutos depois de sairmos do restaurante, quando estávamos entrando em um parque que fica ao lado. Voltamos correndo, mas a mochila já tinha desaparecido, assim como a família de estranhos que estava dividindo a mesa conosco (não os mesmos que estavam no momento da foto).

Fiquei muito irritado com (mais) esse meu esquecimento. Nesse dia específico, não tinha nada de muito valor dentro da mochila, mas se tivesse sido qualquer outro dia, eu poderia ter ficado sem a carteira, câmera fotográfica, celular, cartões de crédito, abrigo de chuva, luva e gorro de frio do Caio, além de muitos outros itens que costumavam freqüentar aquele espaço. Nesse dia, felizmente, o objeto de maior valor material era a própria mochila; o segundo, provavelmente, o cachecol que o Cássio tinha me emprestado. O item mais importante, porém, foi o meu caderninho, onde eu tinha feito todas as minhas anotações desde o começo da viagem, com informações, observações, idéias, além de contatos de pessoas, etc. O primeiro caderninho já estava completo e o segundo tinha acabado de ser inaugurado. Com isso se perderam para sempre muitas das coisas que eu tinha anotado para escrever depois no blog. O segundo item mais importante era o guia turístico de Pequim & Xangai, um guia visual da coleção Eyewitness, da editora DK.

Fiz questão de relatar o furto à polícia, na esperança de que alguém encontrasse a mochila jogada em algum lugar. Os ladrões se deram mal, porque não tinha absolutamente nada de valor nem de útil lá dentro pra eles, mas eu me dei pior ainda.

Dentro da mochila também estavam o cartão de acesso ao quarto do hotel, a chave do cofre da recepção e as chaves de todos os meus cadeados, que estavam trancando a minha mala e a outra mochila no hotel. O cartão de acesso não foi problema; paguei cerca de R$5 para que eles me dessem outro. Já a chave do cofre me deu um prejuízo de mais de R$50, pois eles tiveram que chamar um cara para destruir uma das gavetas do cofre, já que por segurança eles não mantêm cópias das chaves. Quanto às chaves dos meus cadeados, felizmente eu tinha esquecido um molho com uma cópia de cada uma em cima da cama do hotel. Observem a palavra "esquecido", de novo. Neste caso, porém, foi a minha sorte, se não teria tido que rasgar ou destruir a minha mala e a mochila para poder abri-las.

Fiquei triste durante uns dois dias tentando aceitar o fato e entender por que às vezes me distraio tanto. Uma das maneiras que encontrei para sublimar a perda foi listar todos os itens que estavam na mochila e todas as informações que eu lembrava do caderninho. A segunda maneira foi listar todas as coisas que eu já tinha perdido desde o começo da viagem, talvez na tentativa de evitar novas perdas:

- Estocolmo: xampu, hidratante, saboneteira, etc, esquecidos no chão do banheiro do albergue

- Mumbai: cartão do banco
Isto não entrou no blog na época, mas foi foda. Saquei dinheiro do caixa eletrônico e deixei o meu cartão na máquina. Só fui me dar conta quando cheguei em casa e, quando voltei, cerca de uma hora depois, não estava mais lá, claro. O segurança disse que o colega dele tinha colocado na caixa de coleta do banco, que deveria ter sido levada para uma determinada agência. No dia seguinte fui na tal agência com o office boy do Reyaz, mas disseram que ninguém tinha encontrado nada. Resultado: tive que cancelar o cartão, pedir para a minha agência do Brasil emitir outro e pedir para o meu pai mandar pra mim. Enquanto isso, fiquei usando um cartão de reserva que eu tinha, mas que não era da minha conta, e sim daquele tipo de carteira eletrônica (e-wallet), que você carrega com dinheiro no Brasil pra sacar no exterior. Lá foi meu pai de novo carregar esse cartão pra mim.
Detalhe: no meu primeiro dia em Mumbai, eu já tinha esquecido o cartão em outro caixa eletrônico, mas nessa primeira vez o cliente que estava esperando depois de mim saiu correndo pra me entregar o cartão. Claro que parte da culpa é das máquinas de lá, que entregam o cartão só depois do dinheiro e do recibo da transação, mas esquecer duas vezes do mesmo jeito não tem desculpa.

- Calcutá: trim (cortador de unha), provavelmente esquecido no hotel da YMCA.

- Mumbai: colírio recém-comprado; desapareceu misteriosamente e nunca mais foi encontrado.

- Malaca: boné, arrancado pelo vento e lançado numa sarjeta imunda.

- Cingapura: bermuda, esquecida no varal do albergue.

- Langkawi: tripé da câmera fotográfica e relógio de pulso, roubados de dentro da mochila, que estava no compartimento trancado que fica debaixo do banco da lambreta, enquanto eu estava numa cachoeira. A mochila em si saiu ilesa desse primeiro furto. Um fato curioso é que nessa mesma ocasião sumiram as pitombas (frutas) que também estavam dentro da mochila, mas não outras coisas de maior valor, como a própria mochila e o abrigo de chuva. Por um momento, pensei que eu pudesse ter sido vítima dos macacos, atraídos pelo cheiro das frutas, mas acho difícil, porque para pegar o tripé eles teriam que ter aberto outro zíper lateral.

- Xangai: esquecimento seguido de furto:
. mochila
. cachecol do Cássio
. caderninho antigo (cheio)
. caderninho novo (começando)
. guia de viagem Beijing & Shanghai
. caneta
. lenços de papel
. colírio
. porta-moedas (com moedas + chaves dos cadeados)
. estojo da câmera fotográfica
. estojo do Palm
. livrinho de pensamentos do Mao-Tse-Tung

Para me consolar, fiquei pensando também em todas as vezes em que eu NÃO esqueci alguma coisa, em que não perdi dinheiro, outros cartões, documentos, passagens, etc, em que não perdi vôos, trens, ônibus, em que evitei ser assaltado (por exemplo, quando identifiquei uma mão alheia querendo entrar no bolso da minha calça numa escada rolante do metrô de Xangai) e todas aquelas coisas que a gente não percebe quando dá certo, só quando dá errado.

Viagem a Xangai

Dia 7 de dezembro à noite peguei um trem de Pequim para Xangai. Este é o interior da cabine, com dois beliches bem confortáveis.
O nariz de uma locomotiva que estava parada na estação de Xangai (não a do meu trem).

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Tumbas Ming

A segunda parte do passeio foi para conhecer as tumbas da dinastia Ming (1368-1644), que foram incluídas na lista do patrimônio histórico da UNESCO em 2003. O sítio arqueológico contém as tumbas de 13 imperadores, mas apenas a do imperador Zhu Yijun, chamada de Ding Ling, já foi completamente escavada. Outras duas foram escavadas parcialmente, notadamente Chang Ling, que é a maior delas e possui palácios abertos à visitação. As demais estão soterradas até hoje, aguardando decisões governamentais.

As escavações da Ding Ling ocorreram em 1956 e, na década seguinte, ela foi totalmente destruída, na esteira da Revolução Cultural. Todos os objetos que podem ser vistos lá dentro hoje são réplicas dos originais, queimados ou destruídos nos anos de fúria anti-histórica.

Portal de entrada do Caminho Sagrado,
ou Via dos Espíritos, que dá acesso às tumbas.
Estátuas ao longo do Caminho dos Espíritos.
Eu, já devidamente agasalhado, e a guia Jasmin
Interior da tumba Ding Ling, com as réplicas dos sarcófagos do imperador e suas duas imperatrizes, assim como caixas de jóias.
Corredor de acesso a uma das alas laterais.

A Grande Muralha

A Grande Muralha da China tem cerca de 6.500 km e levou séculos para ser construída. Trata-se da maior estrutura construída pelo homem em termos de comprimento, área e massa. Diferente da crença geral, porém, não pode ser vista da Lua.

Sua construção começou no séc. V a.C. e perdurou até o séc. XVI, na dinastia Ming, sempre com a finalidade de defender a fronteira setentrional do império chinês. Apesar da quantidade estúpida de recursos materiais e humanos empregados na sua construção, não impediu importantes invasões vindas do norte, notadamente dos poderosos mongóis. Milhões de operários trabalharam nas obras e calcula-se entre 2 e 3 milhões o número dos que morreram na execução da tarefa. Diz a lenda que muitos dos corpos foram aproveitados na própria estrutura do muro.

Atualmente, a maior parte da Muralha encontra-se em ruínas. Muitas seções foram recuperadas ao longo das últimas décadas, sobretudo com fins turísticos.

A partir de Pequim é possível visitar algumas delas. Eu queria ver uma seção que não fosse muito turística. A seção mais badalada chama-se Badaling (fácil de lembrar). Outra bastante famosa é Simatai, que fica um pouco mais longe e proporciona caminhadas de até quatro horas ao longo de trechos não totalmente restaurados.

A Lígia me indicou o Chinese Culture Club, que é um centro cultural voltado para estrangeiros, com cursos e tours por Pequim e região. Eles tinham um passeio para a seção da Muralha de Mutianyu e para as tumbas Ming. Resolvi arriscar e me tornei um grande fã desse centro. Eles cobram um pouco mais caro do que outros passeios para a Muralha, mas o que oferecem é muitas vezes melhor.

Quando eu me atrasei de manhã por causa daquele motorista de motocaixa fdp, eles não iam me esperar, em respeito aos outros clientes, que tinham chegado na hora. Achei super correto, porém consegui que me esperassem oito minutos. Quando entrei no microônibus eu não sabia onde enfiar a cara, todo mundo sentado esperando o brasileiro atrasado, mas fui logo agradecendo todo mundo e pedindo desculpas e o pessoal me acolheu numa boa.

Ao longo do trajeto, a nossa guia Jasmin foi super profissional, falava inglês muito bem, explicava coisas interessantes, respondia todas as perguntas e era simpática.
Uma vez chegando na área de acesso à Muralha, tínhamos duas horas e várias opções para subir e para descer. Eu resolvi subir a pé e me desgarrar do grupo na metade do caminho, para poder ver mais coisas. Andei para a esquerda quase até o final, onde chega um dos teleféricos. Depois andei ao longo de toda a muralha para o outro lado, passando pelo segundo teleférico e indo até o final.

Agora, com vocês, as paisagens deslumbrantes:
Não se enganem com o sol e com a minha (pouca) roupa. A temperatura estava por volta dos 5°C e o vento, de rachar. Eu só estava sentindo calor por causa do esforço físico. Por questões estratégicas, a muralha acompanha a parte mais alta das montanhas, então dá pra imaginar a quantidade e a inclinação das subidas e descidas...
Aqui eu ainda estava com o cachecol do Cássio, em uma de suas últimas aparições públicas...


O que mais me alegrava era poder estar completamente sozinho, ouvindo apenas o barulho do vento. Essas fotos que vocês estão vendo são raras. Normalmente as fotos dos turistas têm vários outros turistas no fundo. Como eu me desgarrei até do meu grupo e não tinha muitos outros grupos por lá naquele dia, consegui ter uma experiência bastante única.
Aqui o cachecol e o casaco já tinham sumido...



Uma placa indicando o final da parte restaurada da muralha.

Claro que eu precisava continuar mais um pouco, né...

Na descida resolvi me divertir um pouco e peguei uma espécie de bobsleigh.
Por fim, o almoço, incluído no pacote do passeio. Excelente comida chinesa!

Pequim - Fotos esparsas

Apelidei esse veículo aí embaixo de "motocaixa". É uma moto com uma caixa em cima, que funciona como táxi. Depois de eu as ter usado duas vezes, me disseram que são ilegais. Não estou completamente convencido disso, porque se fossem ilegais mesmo, seria muito fácil apreendê-las nas ruas. Reparei que todas elas têm um adesivo de deficiente físico, então imagino que haja alguma sutileza por trás de tudo. O fato é que a segunda e última que peguei me causou o maior transtorno. Primeiro porque o cara não respeitava nada nem ninguém, inclusive invadindo as ciclofaixas e buzinando para os ciclistas, o que me fazia me sentir culpado por estar patrocinando aquilo. Segundo, porque o infeliz resolveu parar no meio do caminho e dizer que não poderia me levar a partir daquele ponto. Isso me fez ter que procurar um táxi no meio de uma avenida totalmente congestionada, no horário do rush da manhã, e quase perder a minha excursão para a Grande Muralha.
Orelhões. Segundo o Kao me informou, certa vez um dirigente chinês foi ao Brasil e ficou encantado com a criatividade e o baixo custo dos nossos orelhões, trazendo a idéia para a China. Não sei se a história procede, mas o fato é que os orelhões chineses são iguais aos nossos (ou vice-versa) e um chinês pronunciou a expressão "big ear" quando comentei sobre eles.
Teatro Nacional, em fase final de construção. Tem formato de meio ovo, que ao refletir na água acaba formando um ovo completo. Além disso, as cores do vidro produzem uma analogia com o símbolo de ying-yang.

Pequim - O Grande Salão do Povo

Na lateral leste da Praça da Paz Celestial...
fica o Grande Salão do Povo,
como é conhecido o Congresso Chinês.A decoração interna é majestosa, porém sóbria.
O Plenário, onde são tomadas importantes
decisões sobre o futuro do país.
Nesta sala, em frente a esta pintura tradicional
chinesa, são recebidas as autoridades estrangeiras.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Pequim de bicicleta

Depois de vários dias procurando um lugar para alugar uma bicicleta, consegui. A foto abaixo vai entrar para a minha galeria!
Nos últimos anos, o número de ciclistas diminuiu drasticamente em Pequim, ao mesmo tempo em que o número de motoristas vem aumentando exponencialmente. Mesmo assim, há infra-estrutura para ciclistas em todos os lugares, seja na forma de ciclovias, ciclofaixas, rampas de acesso a estações, bicicletários, etc.

Bicicletas estacionadas em frente a uma escola técnica,
atrás do primeiro prédio em que fiquei hospedado.
Bicicletário junto a uma estação de metrô.
Rampas ao lado das escadas das passarelas,
para facilitar o transporte das bicicletas.
Ciclofaixa junto à marginal de uma importante
avenida-rodovia (saída leste da cidade).
Estação de aluguel de bicicletas públicas. É um serviço que ainda está em fase experimental, com poucas estações e poucos veículos disponíveis por enquanto.
É impressionante a quantidade de bicicletas e lambretas elétricas em Pequim, como a da foto abaixo ou deste site aqui.
Não sei exatamente qual é a tecnologia utilizada, mas o site acima menciona dois tipos de bateria. Fiquei pensando como seria interessante utilizar a energia de frenagem, como nos carros híbridos, ou a energia excedente a partir de determinada velocidade para recarregar a bateria, o que faria com que esses veículos se tornassem bastante sustentáveis. De qualquer maneira, percebi que algumas pessoas pedalavam as bicicletas elétricas, não sei se porque a bateria tinha acabado ou apenas para poupá-la.

Segundo as poucas informações que consegui obter, as baterias dessas bicicletas têm autonomia de cerca de 70km e são recarregadas em tomadas comuns.

Perguntei para a minha amiga de Xangai o que ela achava sobre as bicicletas em geral, tentando não induzir uma resposta. Ela respondeu mais ou menos o seguinte: "A gente não precisa mais andar de bicicleta. Pelo menos não para ir trabalhar todos os dias, não como transporte. Talvez só para lazer (risos)... a maioria das pessoas agora usa a bicicleta na academia."

Ela se lembra da época em que não havia metrô em Xangai (há cerca de dez anos), nem táxis (vinte anos) e todo mundo tinha que andar de ônibus lotados ou bicicletas. Ela prefere hoje, com todas essas opções mais os carros.

Quanto às bicicletas elétricas, ela disse que até conhece gente que gosta, mas ela tem preguiça de subir com a bateria pra casa todo dia pra carregar. Ela mora a 30 min a pé de uma estação de metrô (talvez 8 min de bicicleta), mas vai de carro com o marido ou de táxi, nunca de bicicleta.

Essa explosão relativamente recente do número de veículos particulares nas ruas trouxe diversos problemas para as grandes cidades, além dos mais conhecidos, como congestionamentos e poluição. Pelo que me informaram, a lei diz o de sempre: prioridade para pedestres, ciclistas, depois carros, etc. Mas a sinalização é um pouco confusa e os semáforos às vezes abrem para pedestres e/ou ciclistas e/ou motoristas ao mesmo tempo. Os carros deveriam esperar os ciclistas, que deveriam esperar os pedestres, mas como o volume de gente é muito grande, tudo acaba ficando confuso, os carros vão avançando, os pedestres se assustam; não acho que seja o ideal para ninguém.

Talvez por causa disso, vi um acidente entre um carro e uma bicicleta logo nos meus primeiros dias, mas em um cruzamento secundário. Como todos dirigem com cuidado e devagar, as conseqüências foram mínimas. Mas por outro lado isso mostra que as coisas não estão funcionando bem. Eu senti que a China está em uma fase de transição no trânsito. Acho que dentro de alguns anos eles terão que tomar algumas decisões, provavelmente mudando o funcionamento dos semáforos e aplicando a lei com mais rigor nos casos de desrespeito.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Pequim
Orientação, planejamento urbano e os hutongs

O Museu de Planejamento Urbano de Pequim traz muitas informações interessantes sobre a cidade. Desde a sua refundação por conquistadores mongóis no séc. XIII, o traçado principal da cidade é retangular, com o palácio imperial (posteriormente expandido até se transformar na "Cidade Proibida") ao centro, de onde irradiam eixos norte-sul e leste-oeste. Isso faz com que, até hoje, apesar das grandes distâncias e do comprimento das quadras, seja muito fácil se orientar na cidade. Todas as avenidas correm ou no sentido norte-sul ou no sentido leste-oeste. Além disso, há cinco anéis, cada um formado por duas avenidas norte-sul e duas avenidas leste-oeste interligadas, concêntricos em relação à Cidade Proibida.

O texto abaixo foi retirado de um dos painéis informativos do museu, sobre o desenvolvimento mais recente da cidade:

Em 1982, o Conselho de Estado anunciou as 24 primeiras cidades de renome histórico e cultural; Pequim estava no topo dessa lista.

O Plano Diretor Municipal de Pequim de 1982 reforçava a proteção da cidade antiga, dava atenção ao entorno dos sítios históricos, preconizava a coordenação entre a preservação de edifícios históricos e a proteção de áreas verdes e mananciais, recomendava uma evacuação maciça da população do centro da cidade e encorajava a coordenação da renovação da cidade antiga e o desenvolvimento de áreas de subúrbio.

Nesse período, foram anunciados 209 sítios oficialmente protegidos em duas fases. O governo municipal demarcou as zonas de proteção e zonas-tampão para 202 sítios.

Em 1985, foram promulgadas as primeiras regras sobre alturas de construção nas áreas urbanas para evitar danos à paisagem da antiga cidade-capital, restringindo o desenvolvimento impensado de arranha-céus.

Em 1987, o plano de zoneamento ajustou os limites das alturas de construção na cidade antiga e nas áreas centrais de Pequim, impôs limites sobre a taxa de ocupação do solo e providenciou a proteção de corredores paisagísticos e áreas tradicionais.

Em 1990, o governo municipal anunciou 25 zonas de proteção histórico-cultural.

Abaixo está uma parte da maquete gigantesca de Pequim, que ocupa um andar inteiro do museu. A foto foi tirada com o norte à frente. Em primeiro plano, na parte inferior central, vemos a Cidade Proibida. À sua esquerda, os lagos.
A foto abaixo foi tirada do leste para o oeste. Ao fundo, o retângulo de cor mais alaranjada é a Cidade Proibida. Em primeiro plano, vemos o CBD (Central Business District), com seus prédios modernos. À esquerda, o principal eixo leste-oeste da cidade. Mais à esquerda, uma linha de trem e um rio. Mais à esquerda ainda, já saindo da foto, ficam os prédios onde eu morei durante a primeira semana. A avenida que corta o CBD ao meio no sentido norte-sul é o trecho leste do 3.º anel.
Outra maquete, apenas com os prédios do CBD.
Em geral, as avenidas de Pequim são compridas, largas e arborizadas, com calçadas bem cuidadas. As ruas mais estreitas e antigas são chamadas genericamente de hutong. Estes podem ter desde 10 m até apenas algumas dezenas de cm de largura.



Os hutongs são a cara da Pequim antiga. Nessas áreas, as casas não têm calefação pública, por isso os moradores precisam recorrer a estes cilindros de carvão compactado que aparecem na foto abaixo:
Muitas também não têm banheiro, por isso há vários banheiros públicos (à direita da foto).
Apesar de não proporcionarem muito conforto para os moradores nos padrões de hoje, esses bairros tradicionais têm muito mais caráter do que os grandes bairros modernos e suas avenidas.

Em geral, os hutongs foram formados a partir da justaposição de diversas casas grandes dotadas de pátios internos. Com o tempo, essas casas foram sendo divididas entre várias famílias, que passaram a compartilhar a porta de entrada e transformaram o pátio em área comum. Atualmente fica difícil identificar os limites entre uma casa e outra, assim como o layout original de cada casa.

A foto abaixo mostra uma das portas que serve de acesso a um pátio interno, onde estão as portas das casas atuais. Uma dessas áreas internas poderá ser vista com maior detalhe (e emoção) no vídeo que aparece mais abaixo.

Voltando ao início deste relato, sobre o planejamento da cidade, os hutongs podem ser divididos entre aqueles (poucos) que estão legalmente protegidos por leis de preservação histórica, aqueles que já desapareceram completamente para dar lugar a bairros modernos, aqueles que estão desaparecendo e aqueles que desaparecerão dentro de pouco tempo...

Eu estava procurando um pequeno museu que ficava em um hutong quando percebi que o endereço não existia mais. A foto abaixo mostra o local em questão e ilustra como se dá o processo de alteração desses bairros (a foto está ruim, porque já era quase noite). Faz-se um plano de traçar uma nova rua ou avenida, derrubam-se as casas necessárias para abrir a rua, constrói-se a rua nos padrões modernos, com calçadas, canteiros para árvores, etc, e constrói-se um muro ao longo das calçadas, criando uma nova fachada para conter o que restou. Dizem que as indenizações pagas pelo governo são relativamente generosas e os moradores desalojados acabam se mudando para apartamentos mais confortáveis, porém longe do centro, onde moravam.
Por fim, o vídeo abaixo mostra uma incursão ao interior da parte habitada de um hutong (depois que se entra pela porta principal que dá para o pátio interno da antiga casa maior que originou as casas atuais). Não se preocupem muito com o som, porque a qualidade está ruim e não digo nada de muito relevante. As imagens falam por si sós.

(32MB - 320 x 240 pixels - 48 segundos)
video

sábado, 22 de dezembro de 2007

Pequim - Palácio de Verão

Visão geral do lago Kunming Hu.
Senhor escrevendo com água diretamente na pedra.
A caligrafia chinesa é considerada uma grande arte.
Longo corredor.
Pagoda das fragrâncias.
A maioria dos locais já estava fechando no horário em que eu cheguei e não consegui ver praticamente nada por dentro.

Barco de mármore.
Pessoas pescando no lago congelado (Lago Posterior).
Rua Suzhou. Reprodução de vilarejo típico chinês.
Na prática, um monte de lojinhas, também já fechadas.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Pequim - Cidade Olímpica

Pequim já está em contagem regressiva para os Jogos Olímpicos do ano que vem. Resolvi inspecionar o andamento das obras.
Este é o futuro Estádio Nacional.
Ao lado, o Centro Aquático Nacional, um paralelepípedo de plástico translúcido. Ambas as construções terão recursos tecnológicos de última geração.
Logo atrás dele, o Ginásio Nacional, que já está pronto e acabou de sediar o campeonato mundial de ginástica artística.
Todo o complexo olímpico foi projetado com forte preocupação ambiental, desde a captação e o reaproveitamento da água até a economia de todo tipo de energia. Esta é a maquete da Cidade Olímpica inteira, no Museu de Planejamento Urbano de Pequim.
Ao centro, um objeto redondo, é o Estádio; logo à esquerda, um retângulo azul, o Centro Aquático; um pouco mais atrás, um retângulo iluminado, o Ginásio; nas laterais, os apartamentos dos atletas; ao fundo, um parque-floresta; em meio a tudo isso, diversos outros locais de competição para diferentes modalidades.

Pequim - Templos

O templo lamaísta (Yonghe Gong) é um dos mais bonitos de Pequim e o principal templo do budismo tibetano fora do Tibete.





Outro importante templo que fica nas proximidades é o templo dedicado a Confúcio, um dos principais filósofos da antigüidade chinesa e da humanidade.




quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Pequim - Wanfujing

Wanfujing já era uma rua tradicional de comércio em Pequim antes mesmo da maior abertura econômica do início da década de 1990. A foto abaixo (metade esquerda) mostra o início de seu trecho principal, que é fechado para carros e ladeado de grandes shopping centers e lojas.
Igreja de Wanfujing, também conhecida como
igreja de São José ou Catedral do Leste.
Feira de comidas típicas em uma travessa da Wanfujing.
Dê um zoom e observe as iguarias disponíveis:
espetinhos de bicho-da-seda, besouros, grilos e escorpiões.
Em uma ruazinha mais pacata na mesma região,
um cantor de ópera chinesa atuando ao ar livre.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Cidade Proibida

Hoje chamado de Museu do Palácio, esse gigantesco complexo retangular abrigou as famílias imperiais das dinastias Ming e Qing entre os séculos XV e XX. Para quem não assistiu, recomendo veementemente o filme "O último imperador", de Bernardo Bertolucci (1987).

A Cidade Proibida é composta de diversos palácios, pavilhões e salões. Uma das construções mais imponentes, o Salão da Harmonia Suprema, estava em processo de reforma e totalmente encoberto por tapumes e andaimes.

A maioria dos tesouros imperiais foram levados pelos nacionalistas durante a Guerra Civil e estão hoje expostos no Museu do Palácio Nacional, em Taiwan.

Panorâmica a partir da Porta Meridiana






Jardim Imperial, na extremidade norte da
Cidade Proibida, com suas árvores tortuosas.
Vista do pôr-do-sol sobre Pequim a partir do
parque Jingshan, mais ao norte da Cidade Proibida.
Vista da própria Cidade Proibida a partir do mesmo local.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Pequim (Beijing) - 2.ª fase

Depois de uma semana em Pequim, precisei procurar outro lugar para me hospedar. Cheguei a reservar um albergue, mas a Lígia gentilmente me ofereceu pra ficar na casa dela. Ela já estava hospedando quatro brasileiros que vieram participar do mundial de kung-fu (gongfu/wushu), mas três deles iriam embora no dia seguinte. (Isso além de mais dois hóspedes felinos.)

O gato Guinha, roubando as atenções
(humanos: Pablo, Lígia, Mariana)
A mudança para o novo endereço coincidiu com o final dos meus trabalhos. Então, a partir de 1.º de dezembro, comecei a passear, finalmente.

O condomínio do meu novo prédio,
visto a partir da estação de metrô
Estação central de trem de Pequim
Demolição - cena comum -
em ruela próxima à estação
Linda calçada, mas... grades na janela?
Espero que a gente nunca chegue a esse ponto!...
Qian men, porta ao sul da Praça da Paz Celestial
Monumento aos heróis do povo
Museu Nacional, fechado para reformas até 2010
Fiz amizade com esse chinês, chamado Tang Yu, e fiquei passeando e conversando com ele durante algumas horas. Ele nasceu em um vilarejo no sudoeste da China, mas agora estuda e mora em Nanjing (Nanquim). Foi a partir das conversas com ele que comecei a perceber que, até no discurso oficial do governo, a Revolução Cultural é vista hoje como um grande erro do passado da China e de Mao Tse-Tung.

Censura

No dia-a-dia a gente se esquece de que a China vive uma "ditadura democrática" e que a liberdade de expressão e informação não está plenamente garantida.

Um exemplo é a Internet, que tem alguns sites bloqueados. Por um lado, é possível usar Skype, Messenger, assim como todos os outros programas de comunicação por voz que eu tentei, porém não é possível acessar a Wikipédia nem alguns sites de notícia estrangeiros. Um fato curioso é que eu conseguia escrever no meu blog (o domínio blogger.com não é bloqueado), mas não ler o que eu tinha escrito depois de publicado (porque o domínio blogspot.com é bloqueado)!

Eu até entendo a preocupação do governo com a Wikipédia, que embora contenha informações bastante equilibradas sobre a história recente da China, não segue a cartilha do Partido Comunista Chinês. Mais ainda com os sites da CNN e BBC, asseclas dos porcos capitalistas ocidentais. Mas se for assim, deveriam proibir tudo, porque imagine o que a pessoa pode dizer e ouvir pelo Skype ou escrever e ler por email! (Alguém me disse: não dê a idéia...) Eu, por exemplo, tive que pedir para uma amiga de Taiwan pesquisar uma página da Wikipédia para mim e me mandar por email, porque eu precisava saber aquilo para o meu trabalho.

Bom, não demorou mais do que alguns dias até que eu descobrisse um serviço que burla os bloqueios do governo. Fica aqui a dica: http://www.wujie.net Mas eu já vou indo, porque dizem que, se o governo descobrir que escrevi isso, os homens de preto podem aparecer a qualquer momento para me levar...

sábado, 15 de dezembro de 2007

Circo acrobático

Em uma terça-feira, para sair da rotina, fui assistir a este espetáculo acrobático.
Além dos figurinos maravilhosos,
são impressionantes as exibições de contorcionismo. Observem que as meninas estão, além de tudo, equilibrando quatro lustres cada uma.
As apresentações de equilíbrio e acrobacia também não ficam atrás.
Por fim, uma apresentação com bicicletas, esbanjando criatividade e equíbrio.
Este vídeo ilustra a parte de acrobacias:
video

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Eventos sociais

Saída noturna, em uma área de hutongs (Nanluogu Xiang)
Janaína e Cláudio
Almoço na casa da Lígia. Em sentido horário: Marcus, Renata, Timur, Tiago, Kao, Lígia, Waldir, Pablo, Marcelo.
O pessoal do kung-fu (wushu). Da esquerda para a direita, na primeira fileira: Waldir (treinador), Renata (atleta), Marcus (treinador e vice-presidente da Confederação Brasileira), eu (ex-atleta...) e Pablo (atleta)
Almoço com o Calvin, ex-colega de IBM, e família.

A comida

Pequim (Beijing) - 1.ª fase

Os meus dez primeiros dias em Pequim foram de trabalho. Fiquei hospedado no apartamento dos colegas de trabalho do Caio e, durante a semana, usava o escritório deles, que fica no mesmo condomínio. As minhas saídas durante esse período se resumiram a alguns almoços e jantares.
O meu prédio
A sala
O meu quarto
Publicidade eletrônica dentro do elevador
O escritório. Em sentido horário: Marcelo (de costas),
Cláudio (o chefe), Samuel, Lígia
O bairro - avenidas largas e infinitas
Vista da janela, em um dia de sol
Dispositivo pra ninguém roubar a vaga de estacionamento
Bicicletas públicas
O supermercado - como qualquer outro

Revolução Cultural

Essa expressão pode passar uma idéia equivocada sobre um dos períodos mais duros da história recente da China. Idealizado por Mao Tse-Tung e iniciado em 1966, esse movimento foi extinto oficialmente em 1969, mas na prática só terminou mesmo em 1976, após a morte do Mao. Durante esses dez anos, o lema era destruir tudo o que fosse antigo e tudo o que remetesse à religião, ao imperialismo ou à burguesia. Apesar de não ter sido tão brutal quanto os extermínios do Khmer Vermelho no Camboja, causou a destruição de templos, monumentos e objetos históricos, além da morte ou mutilação de centenas de milhares (dados oficiais) ou milhões de chineses.

Apesar dessa tragédia e de outros fracassos anteriores, como o Pequeno Salto Adiante e o Grande Salto Adiante, Mao ainda é tido hoje como o grande responsável pela Nova China, que é como os textos oficiais se referem ao país refundado após a revolução comunista. Por sua importância histórica, seus erros são relativamente perdoados, muito embora a nova classe média não tenha pudores em dizer que não gosta muito dele.

O primeiro sucessor de Mao Tse-Tung foi Deng Xiaoping, que abriu gradativamente o país à economia de mercado e estabeleceu as bases do que nós ocidentais consideramos a nova China.

Você sabia?
Que a política do filho único foi estabelecida somente após a morte do Mao? Antes disso, houve um equivocado estímulo à natalidade. Se isso não tivesse acontecido, provavelmente as famílias de hoje poderiam ter dois filhos.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

China - As faces do Mao

No meu primeiro almoço, sob a égide de Mao Tse-Tung
Porta da Paz Celestial (Tian'an Men), de onde o "Grande Timoneiro" anunciou, em 1949, a fundação da República Popular da China.
Mausoléu de Mao Tse-Tung, onde dá pra ver o corpo embalsamado dele (pra mim, trocaram por uma estátua de cera). Essa escultura aí na frente não lembra alguma coisa?
* A transliteração oficial em pinyin atualmente é Mao Zedong, mas estou usando a forma mais consagrada.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

A Pitanga não tem leucemia!

Estou interrompendo o meu silêncio no blog por uma boa causa:

Pedi para o veterinário refazer os exames da Pitanga e deram negativo! Foram feitos exames de reação cruzada tanto para FIV como para FeLV, na Pitanga e na Frida, e deram negativo!! Agora só falta eu apertar aquelas duas gatas no cangote pra matar a saudade...

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Bangkok > Kuala Lumpur > Seoul > Beijing

Hoje a tarde sai de Bancoc e vim para Kuala Lumpur. Fui ate a pousada buscar a minha mala grande, voltei pro aeroporto e agora vou pegar um voo para Seul. Amanha passo o dia la conhecendo a cidade e a noite pego o voo final para Pequim.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Tailândia - primeiros dias

Passei dois dias em Ko Phi Phi e deu tudo certo. Amanhã pego um barco de manhã para Phuket, passo o dia lá e à noite pego um ônibus para Bangkok, devendo chegar lá no domingo de manhã.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Langkawi

De Pulau Pinang, fui de barco para Pulau Langkawi, outra ilha mais ao norte. O centro da cidade, onde chegam os barcos, é muito desenvolvido, mas indo para a região das praias, o cenário é bastante diferente. As fotos falam por si sós!


Ai, que saudades da Marina, pra curtir toda essa paisagem comigo!

Na ilha não tem transporte público, então no segundo dia tive que alugar uma scooter pra poder conhecer outras praias e cachoeiras.




O dia em que eu voei!

Pode parecer brincadeira de criança para alguns, mas achei o máximo voar de parasail! Eu estava na praia, não tinha muita gente, eu já tinha andado até as duas pontas e não tinha muito mais o que fazer. Aí resolvi ceder à tentação. Não sei até que altura cheguei, mas deu pra sentir um medo de que se o equipamento falhasse, a minha entrada na água não seria muito suave... Uns vinte andares, talvez? (a próxima foto mostra a metade da altura máxima)
Molhando as pernas
Procedimento de pouso
A cara de feliz
Depois da façanha, fiquei mais um pouco na praia e resolvi nadar. Aí, também pela primeira vez na vida, me queimei com água viva. Tive que ir correndo pro posto de salva-vidas, mas ficou tudo bem. Passaram vinagre em todas as regiões afetadas, olharam e disseram que não era do tipo muito venenoso (eu não vi, mas disseram que era daquela que parece uma gelatina transparente). Só me disseram para observar, se começasse a sentir febre ou dificuldade para respirar depois de algumas horas, precisaria procurar um hospital. Não deu nenhuma outra reação, só a queimação mesmo.

Penang

Depois de Cingapura, peguei um trem para Kuala Lumpur e, de lá, um ônibus para a ilha de Penang (Pulau Pinang).

Penang pode ser dividida em três diferentes partes, conforme os meus interesses.

Georgetown

Capital da ilha, cidade fundada pelos britânicos. Conserva algumas atrações históricas.

Torre do relógio, em memória da rainha Vitória
Forte Cornwallis
Eu vestido de soldado britânico
(Não fiquei mais parecendo um cangaceiro? Será por causa das minhas "alpercatas"?)

Town Hall, antiga prefeitura
Kek Lok Si

Maior templo budista da Malásia. Começou a ser construído em 1890, mas continua sendo ampliado.
Estátua da deusa Kuan Yin.
Ela é toda de bronze e tem 36,5 m de altura. Está cercada de andaimes porque estão construindo uma cobertura colossal para protegê-la das intempéries. Além disso, vão instalar 1000 estátuas menores à sua volta!

Olhando lá de cima, não parece Santos / São Vicente?
Praia

A principal se chama Batu Ferringgi. Aqui comecei a perceber a beleza das praias desta região do mundo.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Transporte de longa distância

Existem trens na Malásia, mas eles não são muito eficientes, pois são pouco freqüentes e não muito confortáveis. Além disso, são mais caros do que os ônibus.

Esse é o interior de um vagão leito de 2.ª classe. A roupa de cama é limpinha e aparentemente tudo bem. Porém, o comprimento não é suficiente para mim, dos lados há partes metálicas geladas e o trem chacoalha muito.
A parte sul da malha ferroviária da Málasia termina em Cingapura, pois foi construída na época em que toda a península era domínio britânico. Mas agora que os dois países são independentes, existe uma aberração.

Todo o trecho por onde passam os trilhos, desde a fronteira até a estação final de Cingapura, são território e propriedade da Malásia, inclusive o prédio da estação, que é esse cujo interior aparece aí na foto, em estilo art déco.
A conseqüência é que Cingapura faz de conta que a estação não existe. Não há estações de metrô perto nem faixa de pedestre para atravessar em frente da estação, por exemplo.

Outra coisa que prejudica o uso do trem entre os dois países é a burocracia da imigração. O trem noturno sai de Kuala Lumpur às 22h e chega em Cingapura às 8h20. Tempo suficiente pra dormir, né? Só que lá pelas 6h, o trem pára numa estação na fronteira pra fazer os procedimentos de imigração. Todo mundo tem que descer do trem com todos os pertences e bagagens, ficar na fila da imigração, passar as bagagens pelo raio X, passar pela alfândega e esperar de pé até eles abrirem a porta que dá de novo pra plataforma, pra daí poder entrar no trem e tentar dormir mais uns 40 minutos...

Não sei como são os ônibus pra Cingapura, só sei que são mais baratos e têm vários horários e classes de conforto. Entre Kuala Lumpur e Penang, peguei um ônibus de luxo (por engano...), chamado VIP. Espaço de sobra para as pernas, poltrona super reclinável, televisão individual com fones de ouvido, etc.
É assim que se começa a desmontar a rede de trens de um país.

Brasileiros em Cingapura

Nas minhas primeiras incursões por Cingapura, eu já tinha notado certas pistas de que havia brasileiros à espreita.

Uma bandeira no albergue
Uma rede de churrascarias
Foto do Kaká na loja da Adidas
Mas uma noite, quando eu estava voltando da Little India para o albergue, ouvi uns caras falando português atrás de mim. Eram dois paulistas. Ficamos ali conversando e de repente chegam mais três brasileiras, que estavam com eles mas tinham ido passear separadas. Uma carioca, uma brasiliense e uma campineira! Os cinco estão morando na Austrália e resolveram dar uma viajada pela Ásia juntos.
Ficamos conversando uma meia hora e depois aceitei ir ver onde ficava o albergue deles, caso a gente quisesse se encontrar no dia seguinte. Não é que no caminho a gente encontrou mais um monte de brasileiros? Era um grupo de marinheiros da Marinha de Guerra do Brasil que vieram a Cingapura buscar um navio que a Marinha acabou de comprar. Aí ficamos conversando mais um pouco, até que surgiram duas bandeiras para a foto...
Detalhe: cada marinheiro recebe US$300 por dia da Marinha para as despesas, mas eles estão hospedados num albergue que custa US$17. A IBM me pagava pouco mais que a metade disso.

Ilha Sentosa

A ilha de Sentosa fica ao sul de Cingapura. No passado teve usos militares, mas hoje foi convertida em um grande parque temático.

A praia principal, Siloso.
Foram criadas praias artificiais, com areia importada e pedras falsas. Aliás, chegando perto das pedras, dá pra ver que algumas estão quebradas e são ocas.
De qualquer maneira, as paisagens são lindas, sobretudo considerando que estão praticamente dentro da cidade.
A infra-estrutura é excelente, com vestiários e guarda-volumes, algo que a gente deveria ter em algumas das nossas praias também.Aqui dá pra ver que os navios e o porto não estão muito longe.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Cingapura - fotos

Cingapura é uma cidade extremamente moderna, portanto tentei fazer uma seleção de fotos que mostrassem também outros aspectos além dos prédios modernos.

Biblioteca Nacional
Um raro conjunto de casas conservado.
Meu prato de sobremesa num restaurante italiano.
A maioria dos restaurantes melhorzinhos de Cingapura exigem trajes mínimos e tive que almoçar na área do bar por causa da bermuda.

Hotel Raffles, símbolo da era britânica.
Esculturas urbanas
"Primeira geração", de Chong Fat Cheong
"Pássaro", de Fernando Botero
"Homenagem a Newton", de Salvador Dalí
Boat Quay (Cais dos barcos)
Há poucas décadas, o rio Cingapura era poluído e esse trecho era apinhado de pequenas embarcações, descarregando mercadorias. O rio foi despoluído e o cais totalmente recuperado (aliás, todo o rio e todos os cais).

Achei este ângulo interessante, pois mostra um pouco da natureza original da ilha, a estátua do fundador da cidade e a cidade moderna ao fundo.
Shopping (Bugis Junction)
que ficava em frente do meu albergue.
Ele foi feito usando o traçado original das ruas e as fachadas dos edifícios. Olhando de fora, aparentemente só foi colocada uma cobertura e instalado um sistema de ar condicionado, mas por dentro a estrutura original das casas não existe mais.

CHIJMES - antigo convento, que também foi "preservado", convertendo-se em shopping.
Vejam a largura e perfeição desta calçada, bem como a qualidade da arborização.
Interior do Battle Box, um bunker onde os oficiais britânicos discutiram os passos a serem tomados diante do iminente ataque japonês durante a Segunda Guerra e terminaram decidindo pela rendição.
Emerald Hill Road, uma das ruas mais charmosas de Cingapura, travessa da Orchard Road.

Orchard Road, uma das artérias mais movimentadas e comerciais de Cingapura, com lojas de grifes famosas.
Chinatown
Eu sei que já mostrei muita foto de templo, mas este aqui era maravilhoso, com milhares de budinhas dourados nas paredes.
Little India - o bairro indiano, devidamente iluminado para o festival Deepavali (Dipavali), que está acontecendo durante o mês de novembro.
Kampong Glam - Bairro muçulmano
A Esplanada - uma espécie de centro de convenções e exposições, com formato de durian, uma fruta típica da Malásia e de Cingapura.
Atualmente essa fruta está proibida em vários lugares públicos devido ao cheiro forte que exala (leia-se fedor). Eu queria ver ou provar, porque dizem que, apesar do cheiro, o gosto é muito bom, mas em vários lugares que perguntei, não tinham.

Merlion, uma espécie de sereia com cabeça de leão, símbolo da cidade de Cingapura.
Clark Quay, outro cais recuperado.
Os enfeites de Natal já começam a aparecer na cidade.

Cingapura

Novamente um problema de nome. No Brasil convencionou-se escrever Cingapura, mas não sei por que cargas d'água. O nome em malaio é Singapura (cidade do leão), em inglês é Singapore e em Portugal é Singapura. Portanto, não sei de onde surgiu esse "C" inicial. Mas, novamente, vou adotar a grafia do Itamaraty.

A história oficial de Cingapura começa em 1819, quando um inglês de nome Thomas Stanford Raffles decide fundar uma cidade no local para servir como um bastião do Império Britânico na região. À época, Cingapura contava com apenas algumas centenas de habitantes, embora já tivesse sido mais próspera vários séculos antes.

Em 1942, foi ocupada pelos japoneses; depois do fim da Guerra, foi retomada pelos britânicos, que deixaram a ilha finalmente em 1947. Durante dois anos, Cingapura fez parte da Federação Malaia, mas declarou sua independência em 1949.

Cingapura é, ao mesmo tempo, uma ilha, um país e uma cidade. Etnicamente, sua população é majoritariamente de ascendência chinesa. Em geral, os avisos impressos são escritos primeiramente em chinês, depois em inglês, depois em malaio. Há também muitos ocidentais vivendo em Cingapura e, assim como na Malásia, eu não me senti um animal exótico andando na rua.

As ruas são arborizadas, as calçadas largas e o trânsito, apesar de intenso, não chega a ficar congestionado. O sistema de transporte público é eficiente, com metrôs e ônibus. Há poucas ciclovias, portanto poucos ciclistas. Por outro lado, há diversos dispositivos de "traffic calming" (restrição de velocidade dos veículos), que facilitam a vida dos pedestres.

Devido ao clima quente e úmido, a maioria dos locais públicos é climatizada. Uma pessoa que não caminhe muito pela rua, apenas saia de casa para o trabalho, depois para almoçar, fazer compras, ir ao banco, etc, consegue não sofrer muito com o calor, já que a temperatura do corpo se mantém durante um certo tempo. É o equivalente inverso do inverno europeu, em que não se sente muito frio, já que a maioria dos locais fechados é aquecida.

Cingapura é conhecida como "the fine city". Apesar do duplo sentido, em geral essa expressão quer dizer que é "a cidade da multa". Multa por jogar lixo no chão, por exemplo. Na prática, isso é mais lenda do que realidade. Não vi quase nenhum policial que pudesse aplicar alguma multa e há, sim, sujeira na rua. Nada mais do que uma cidade européia limpa, mas há.

As religiões parecem ter um papel menos importante na sociedade de Cingapura do que na Índia ou na Malásia, portanto há menos templos e mesquitas.

sábado, 10 de novembro de 2007

Málaca / Malaca / Melaka

Eu me lembrava do nome Málaca (cidade e estreito de Málaca) das aulas de História no colégio, por isso fiquei intrigado quando aquela bibliotecônoma de Goa pronunciou Malaca. A minha inquietação não se desfez até eu pesquisar na Wikipédia e encontrar as duas grafias, sendo que a proparoxítona é exclusiva do Brasil. Não consegui entender de onde surgiu essa disparidade, mas para todos os efeitos vou usar a grafia brasileira. No idioma malaio, escreve-se Melaka.

O nome da cidade surgiu a partir do nome de uma árvore, e foi dado por um sultão no século XIV. Antes disso, havia sido domínio de chineses, mas não passava de uma vila de pescadores e pequeno porto para reabastecimento de embarcações. Em 1511, visando a controlar as rotas de especiarias que passavam pelo estreito de Málaca, os portugueses estabeleceram-se na cidade, liderados por Afonso de Albuquerque. Em 1641, foram expulsos pelos holandeses, que dominaram a região até 1824, quando finalmente a trocaram com os ingleses por grande parte da Indonésia.

Subida do monte São Paulo
Igreja de São Paulo, construída inicialmente por Duarte Coelho em 1521 como Nossa Senhora do Monte, depois Nossa Senhora da Anunciação. Renomeada pelos holandeses no século XVII. A estátua que vocês vêem é de São Francisco Xavier, aquele cujos restos mortais estão enterrados na Basílica do Bom Jesus, em Goa. Pois é, depois da sua morte em Macau, o corpo dele ficou enterrado alguns meses nesta igreja antes de ser trasladado para Goa. Ele viajou toda a Ásia no século XVI, inclusive o Japão, e por isso ficou conhecido como "Apóstolo do Oriente".
Vista das partes novas da cidade a partir do monte São Paulo. Toda essa área foi formada por aterros. Anteriormente, o mar chegava perto do sopé do monte.
Réplica do palácio do sultanato do século XV.
Trishaws, muito bregas.
Porta de Santiago, a única que sobrou
da antiga Fortaleza Famosa
Lagarto pra turista tirar foto.
Stadthuys - herança da colonização holandesa.
Igreja protestante construída pelos holandeses.
Região às margens do rio Málaca,
que está sendo recuperada e "turistificada".
Jonkers' Walk, rua de Chinatown que está
sendo "pedestrianizada" e "turistificada".
Assentamento português. Na verdade, uma grande praça-estacionamento com algumas lojas e restaurantes em volta. Esse bairro é o último remanescente dos antigos descendentes de portugueses, que ainda falam um crioulo do português conhecido como "cristão" (Kristang). Embora eu tenha almoçado no Restoran de Lisbon, não consegui ouvir ninguém falando, porque no horário que fui lá estava tudo meio vazio.
Algumas casas mantêm certas tradições.
Uma das ruas principais leva
o nome de um tataravô nosso!
Kampung morten - vilarejo malaio.
Casa típica malaia.
Interior da Villa Sentosa,
uma das casas típicas abertas para visitação.
Templo hindu no vilarejo chetti
(antigos imigrantes de origem indiana).

Para quebrar aquela regra que eu escrevi sobre etnias = religiões, ao pegar o ônibus do albergue para a rodoviária, conheci uma senhora de ascendência chinesa que era católica. Depois, entre a rodoviária e a cidade de Tampin, onde eu fui pegar o trem para Cingapura, conheci um cara de ascendência indiana que era protestante: Sam (em homenagem ao avô, que se chamava Samuel).

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

KL - outras imagens

Frente da minha pousada. Esse bairro me lembrou um pouco a Vila Clementino, com seus sobrados cercados de prédios, ruas relativamente estreitas mas movimentadas, colinas.
Praça árabe, na rua da minha pousada.
Outra visão da cidade, em um instante de sol.
Interior de mesquita, impecavelmente limpo.
Artesanato local. Observem a plaquinha, que diz mais ou menos o seguinte: "Pode olhar, pode pegar; se quebrar, tem que pagar".
Ponto de táxi, parecido com um ponto de ônibus.
Estrada entre Kuala Lumpur e Kuala Selangor. Achei interessante a semelhança dessa paisagem com a do nosso Nordeste (exceto pela qualidade do asfalto e pelo sentido de circulação dos veículos).

Kuala Lumpur by night

Esquina perto da estação do monotrilho Bukit Bintang, a poucas quadras da minha pousada, com performances de artistas e concentração de turistas.
Uma rua de balada noturna
Torres Petronas
Prateadamente impressionantes
Segundo o meu guia, as torres foram construídas em cinco camadas, representando os cinco pilares do Islã. Além disso, apresentam várias características arquitetônicas islâmicas. Devo confessar que eu não tinha percebido nada disso antes de ler.

Torre KL
Praça Merdeka iluminada
Painel luminoso em edifício
perto da praça Merdeka

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Brasileiros na Malásia

As duas principais profissões dos brasileiros que moram na Ásia são piloto de avião e jogador de futebol.

Na minha primeira noite em Kuala Lumpur, eu estava voltando para o albergue quando li do outro lado da avenida: "Bossa Nova". Cheguei mais perto e vi que era uma churrascaria de rodízio, o tipo de restaurante brasileiro por excelência no exterior.

Me apresentei pra um garçom que me atendeu e perguntei se o dono era brasileiro. Ele disse que o dono não, mas o chef sim. Assim fui logo conhecendo o "passador" Marinaldo, paraibano, que todo sorridente me levou a uma mesa onde tinha um monte de brasileiros. Três jogadores do Kuala Terengganu, mais uma portuguesa que estava lá a trabalho, um inglês que tinha morado cinco anos do Brasil e outro inglês amigo dele.

Dois dias depois, eu estava caminhando à noite para tirar fotos das torres Petronas quando ouvi alguém conversando com sotaque mineiro. Mais dois jogadores, desta vez do Kuala Lumpur.

Kuala Lumpur – 2.º movimento

Já mais liberto da comparação com a Índia, num segundo momento comecei a ver Kuala Lumpur e a Malásia de outra maneira. Para não perder o costume, encontrei dois grandes defeitos.

Um deles é o excesso de carros nas ruas. Apesar de não causarem tanta poluição sonora e atmosférica como nas grandes cidades brasileiras, a supremacia dos carros acaba dificultando a circulação de pedestres e outros veículos. Muitas situações me lembraram as cidades brasileiras, com esquinas de raios muito grandes, que facilitam a curva para os carros e dificultam a travessia para os pedestres, carros e motos estacionados em esquinas e sobre calçadas, e aí por diante.

O segundo grande defeito é o sistema de esgoto. Esse é um bom exemplo de que só percebemos a importância de certas coisas quando damos por falta delas. Nas principais cidades brasileiras, acho que há dois sistemas de escoamento, um para águas pluviais e outro para esgoto doméstico. O sistema de drenagem pluvial é "aberto", ou seja, há bocas-de-lobo, ralos, tampas não vedadas, canaletas, etc, o que não provoca nenhum problema, já que a água da chuva é relativamente limpa. Já o sistema de esgoto deve ser vedado, sifonado, sei lá, para evitar que o cheiro de merda impregne a rua. Pois então, parece que aqui os dois sistemas são o mesmo, e ficam abertos. Portanto, você anda em algumas ruas e de repente surge aquela catinga de Tietê. Isso quando não dá pra ver aquela água podre estagnada em alguns pontos. Eu me lembro de ter percebido o mesmo problema uma vez em Arraial do Cabo, no estado do Rio.

Em uma dessas canaletas o vento jogou o meu boné, que acabou ficando por lá mesmo...

Como sou otimista, quero crer que esse sistema foi projetado apenas para canalizar a água da chuva e que a presença de esgoto se deve a conexões clandestinas, espúreas.

Aliás, bem que os dois problemas poderiam ser resolvidos ao mesmo tempo, né? Que tal uma calçadinha aqui?

Só faltou tirar as floreiras do meio do caminho, caramba...

Thaipusam

Nessa caverna Batu que eu mencionei no relato anterior, acontece todos os anos um festival hindu chamado Thaipusam. Durante o festival, que dura três dias, algumas pessoas sobem aquela escadaria de 272 degraus com pesos amarrados ao corpo por meio de ganchos e anzóis enfiados na pele, como se fossem horríveis piercings. Isso é feito como agradecimento por uma graça alcançada e os pesos são oferendas de leite para os deuses. Diz a lenda que os realmente iniciados entram em transe e não sentem dor nem sofrem qualquer lesão, o que comprovaria mistérios semelhantes às proezas dos faquires, que deitam sobre pregos e caminham sobre brasas. Por outro lado, algumas pessoas que tentam fazer o mesmo sem o devido preparo espiritual acabam no médico com lacerações sérias. Esse festival teve origem no estado indiano de Tamil Nadu, mas atualmente está proibido na Índia.

(imagens de terceiros)


segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Amigos

No meu segundo dia em KL fui visitar uma das principais torres daqui (Menara KL), para ter uma visão geral da cidade e das torres Petronas. Antes de subir, vi que ia começar um passeio gratuito por um pequeno parque, remanescente de floresta tropical.
Acabei fazendo amizade com o guia do passeio (esse que aparece aí na foto). Observem a diferença entre a aparência dele (um malásio de ascendência malaia) e das crianças (malásios de ascendência chinesa).

Ele me convidou para ir a um "open house", na casa de um amigo muçulmano. No "open house", as pessoas mantêm a mesa pronta em casa e convidam os amigos para aparecerem quando quiserem, sem prévio aviso. É uma das maneiras de comemorar o fim do Ramadã (Eid-el-Fitri), quando os muçulmanos encerram o jejum que durou um mês.

O anfitrião e eu, comendo arroz com a mão.
Zul, meu novo amigo, e eu.
A família do anfitrião.
No outro dia era folga do Lizan, um cara que trabalha no albergue e que também fez amizade comigo. Ele me convidou para ver as cavernas Batu, perto de KL, e outro lugar, que acabou sendo Kuala Selangor, antiga capital da época dos sultanatos.

Entrada das cavernas Batu.
Farol que é o cartão postal de Kuala Selangor.
Na volta para Kuala Lumpur, viemos conversando sobre o "open house" do dia anterior e o Lizan me explicou que a idéia original do jejum do Ramadã (podem comer só durante a noite) é que as pessoas sintam no próprio corpo o sofrimento dos pobres que não têm o suficiente para comer e passam fome.

Eu vestido com os trajes tradicionais
malásios na casa do Lizan
Um colega dele, Lizan e eu.Observem novamente a diferença na aparência entre um malásio chinês e um malásio malaio.

Malásia - alguns dados

História

Este ano a Malásia está comemorando 50 anos de independência. Antes disso, era habitada por povos autóctones, depois conheceu diversos sultanatos (até o início do século XVI), até ser dominada por portugueses, holandeses e britânicos.

Geografia

A Malásia possui uma parte peninsular, que faz divisa com a Tailândia ao norte, e uma parte insular, na ilha de Bornéu, que divide com Brunei e Indonésia.

Clima

A maior parte da Malásia está situada entre 1º e 6º de latitude norte, mais ou menos o equivalente entre Belém e São Luís, no hemisfério sul. Ou seja, o clima aqui é tropical-equatorial, quente e úmido, chuvoso e abafado.

Economia

A base da economia malásia é petróleo, manufatura e agricultura (seringueiras e dendezeiros), o que faz do país um dos maiores exportadores de borracha e óleo de dendê).

Petronas é a companhia estatal de petróleo do país, patrocinadora da equipe BMW Sauber de Fórmula 1.

Etnias e religiões

Os principais grupos étnicos da Malásia são malaios, indianos e chineses. Em termos de religião:

- malaios = muçulmanos

- indianos = hindus

- chineses = budistas/taoístas

Idiomas

Dentro de cada grupo, as pessoas falam suas próprias línguas, que são:

- malaios: malaio

- indianos: tâmil e/ou híndi (a maioria imigrou do estado de Tamil Nadu)

- chineses: hokkien, cantonês, mandarim

Além disso, a maioria fala também malaio e inglês.

domingo, 4 de novembro de 2007

Kuala Lumpur - primeiras imagens

Torres Petronas.
Com 451,9 metros, eram o edifício
mais alto do mundo até há poucos anos.Menara KL
Monotrilho
Mesquita Jamek
Praça Merdeka (Independência),
com edifício Sultão Abdul Samad

Kuala Lumpur - 1.º movimento

As minhas primeiras impressões sobre Kuala Lumpur (vulgo KL) e a Malásia estavam muito associadas a uma negação da Índia:

Aqui não tem tanta sujeira na rua.
Aqui a diferença social não é tão gritante e quase não há pedintes.
Aqui não tem sempre alguém pra prestar serviços inúteis e cobrar gorjeta depois.
Aqui não tem vigias em todos os lugares pra dizer que você não pode fazer alguma coisa ou entrar em algum lugar.
Aqui os vendedores não são agressivos e geralmente só atendem se você pedir.
Aqui os motoristas praticamente não buzinam.
Aqui a poluição do ar causa menos reações perceptíveis no meu organismo.
Aqui nem tudo é sujo e dá nojo.
Aqui há poucos animais abandonados nas ruas.
Aqui existem os conceitos de limpeza e manutenção de lugares, edifícios e equipamentos.

No final do primeiro dia, a minha impressão era: enfim, novamente um lugar "normal"! E com suas peculiaridades bastante interessantes.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Depois da Índia

Logo na minha primeira semana na Índia, fui ao consulado do Japão tentar obter o visto. Quem não se lembra por que eu não tirei o visto no Brasil, leia isto aqui. O funcionário do consulado confirmou o que eu já sabia, mas não queria acreditar, que o Japão só fornece vistos para residentes do país. Aí só me restava uma opção: enviar o meu passaporte via Fedex para o Brasil e pedir para os meus pais darem entrada em meu nome no consulado de São Paulo.

Além dos riscos de que o passaporte se perdesse no meio do caminho, duas outras razões me fizeram desistir de tentar: primeiro, a grande chance de que eu não conseguisse o visto, pelas razões explicadas no relato mencionado acima; segundo, porque na Índia a maioria dos hotéis exige o passaporte para registrar os hóspedes, e as minhas possibilidades de viajar na Índia durante algumas semanas ficariam limitadas.

Além disso, achei que poderia aproveitar a oportunidade para conhecer outro(s) país(es) na Ásia. Só fiquei triste por não poder reencontrar o Takaaki, que era o motivo principal de eu ter escolhido o Japão e por todo o trabalho que ele teve pra me enviar a papelada dele.

Enfim, desisti do Japão e decidi escolher um país que quisesse me receber de braços abertos. Ou seja, eliminei todos os que exigiam vistos dos brasileiros. A seguir, usei um outro critério: queria um país que fosse bem mais civilizado que a Índia, porque os meus dez primeiros dias lá já tinham me tirado do sério (vide relatos sobre Puna). A minha primeira opção era a Coréia, já que eu ia fazer conexão lá para ir da China pro Japão e do Japão pra Austrália, então bastaria eliminar as duas pernas de ida e volta Seul-Tóquio. Mas três semanas era muito tempo para ficar na Coréia e o país não me parecia exótico o suficiente. Acabei escolhendo Malásia e Cingapura, sobretudo depois que conheci um malásio super gente boa no ashram do Osho em Puna, que me falou um pouco sobre o país dele.

Feitas as escolhas, passei duas semanas em contato com a Delta (e conversando com a Marina) para alterar o meu roteiro. Eu estava com muita saudade e pensei em abreviar a viagem, chegando em Caracas antes do Natal, onde me encontraria com a Marina para passarmos o Natal e o Ano Novo juntos. Mas não consegui nenhum vôo para Caracas nesse período e acabamos mudando os planos: a Marina vai visitar a irmã dela na Espanha no final do ano e depois vai direto para a Venezuela, onde vamos nos encontrar! Acabou ficando para mais tarde do que queríamos, mas pelo menos deu certo de nos encontrarmos ainda durante a minha viagem.

Além disso, com os novos vôos que consegui com a Delta, vou ter uma espera de dez horas em Seul (das 9h às 19h) quando estiver indo da Malásia para a China, portanto vou ter tempo para conhecer um pouco da cidade. Em janeiro, quando eu estiver indo da Austrália para a Venezuela, vou ter uma espera de 21 horas (!) em Nova York e já combinei com o meu primo que a gente vai se encontrar, jantar, passear, etc.

O novo roteiro ficou assim:
(clique para ver ampliado)

Vejam que interessante: no dia 17/1, vou sair de Seul às 19h30 e, depois de viajar mais de dez horas, vou chegar em Nova York às 19h10 do mesmo dia!

A parte ruim vão ser as minhas conexões em Houston: 4,5 horas de espera na ida de Nova York para a Venezuela e 8 horas de espera voltando da Venezuela para o Brasil (pois é, não encontraram um vôo mais direto e vou ter que voltar para os EUA pra depois ir pro Brasil). Além disso, já conheço Houston e não tenho a mínima vontade de sair do aeroporto para ver nada lá. Acho que vou tentar mudar isso de novo...

Adeus, Índia

Ficou faltando escrever várias coisas sobre a Índia, mostrar fotos e falar sobre Calcutá, complementar a parte de Delhi e falar do meu reencontro com Mumbai nos últimos dois dias, sobretudo depois de ter começado a ler um excelente livro sobre a cidade, que deixo aqui como sugestão de leitura:

MAXIMUM CITY - Bombay lost and found
Autor: SUKETU MEHTA

Mas sobretudo ficou faltando falar sobre alguns temas, como vacas, castas e comida. Talvez eu ainda faça isso nos próximos dias, mas provavelmente a maior parte vai ficar para depois que eu voltar para o Brasil. Com isso, perde-se o "calor do momento" (exceto por algumas anotações que já estão feitas), mas isso também pode ser bom.

Final das contas

Entre perdas e danos, felizmente sobrevivi às oito semanas na Índia, sem nenhuma dor de barriga, dengue, malária, nem bicho de pé; só uma irritação constante das vias respiratórias e dos olhos, causada pela poluição. Isso não significa que algum monstro não possa estar hibernando nas minhas entranhas, mas pelo menos parece que saí ileso.

Mais importante, acho que consegui preservar a minha saúde mental, muito embora eu possa dizer que nunca mais serei o mesmo depois de ter visitado esse "incrível" país (!ncredible India é a logomarca da Índia em todos os materiais turísticos e promocionais). Espero que eu consiga me livrar logo da "raiva preventiva" que aprendi a cultivar para reagir rápido a situações de conflito, assim como das pedras que trago nas mãos, prontas para serem atiradas em qualquer desconhecido que me aborda.

Agra - fotos

Uma manifestação interrompeu a pista contrária? Não tem problema, dirige na contramão. As faixas nem são pintadas mesmo, aí a estrada se torna automaticamente reversível. Como é que ninguém pensou nisso antes?! O único problema é quando você encontra o primeiro caminhão trafegando na mesma pista que você, mas em sentido contrário...

Forte de Agra - entradaDe dentro do forte, é possível ver o Taj Mahal.Detalhe das paredes de mármore, com
incrustação de pedras semipreciosas.Loja onde realizam o mesmo trabalho para venderA fila para entrar no Taj MahalOutro portal de entrada para o Taj MahalA foto que todo turista precisa ter...Sobre a plataforma de entrada do mausoléuOutro ânguloVista lateral, a partir da mesquita